• OUÇA AS MELHORES MÚSICAS DAS MELHORES BANDAS ROMENAS

  • VEJA O QUE A ROMÉNIA TEM DE MELHOR

  • AME A ROMÉNIA

  • OUÇA NOSSO CANAL NO YOUTUBE

Bine aţi venit! - Roménia Mereu

Viaje pelo mundo, conheça culturas e roteiros. Aqui você encontrará de maneira inteligente e divertida, o que precisa para aprender todas as línguas latinas, com foco principal na língua e cultura romena. F. Lòpev

CAMINOS DE CHILE - 2017

UMA NOVA VISÃO SOB TERRAS ANDINAS

     Após um ano sem fazer uma viagem pra fora do Brasil, foi praticamente inevitável conviver com a saudade. Convidei minha namorada e suas amigas para conhecer o país na qual tenho o prazer de identificar como minha segunda nação. Dessa vez o planejamento não foi feito no meio do ano, como em todas as outras vezes era feito, deixamos praticamente pra última hora, pra ser mais exato, final de agosto, planejando viajar já em dezembro e passar a virada de ano em terras estrangeiras.

     Passaportes renovados, planejamentos concluídos, só faltava comprar a passagem (de avião) e viajar. Mas, não poderia ser tão fácil, pelo menos para mim que tem uma certa aversão a viajar de avião, e preferiu viajar por 72 horas de ônibus para não voar. Houve resistência, muita resistência, mas, no final das contas compramos mesmo de avião. Achei até bom, era uma maneira de testar se eu tinha algum problema cardíaco.

DEU TUDO ERRADO

     Faltando quatro dias para o voo, a companhia aérea entra em contato, informando que não voaríamos na hora do voo que compramos, e não haveria como alterar pra outra data, contando que já havíamos marcado nossa estadia e planejado os voos de conexão. Tentamos resolver, impacientes, tremendo e suando, correndo contra o tempo, com a impressão antecipada que deu tudo errado. Talvez fosse até uma mensagem do Universo, me dando aquela dica para ir de ônibus. Mudamos o horário, dificultando um pouco a chegada, por conta da falta de horários disponíveis para mudança e fomos mesmo assim para Belo Horizonte, sob o risco de ficar no aeroporto de Guarulhos por uma madrugada inteira, esperando o próximo voo para Buenos Aires.

Avião da companhia Gol - Aeroporto Internacional de Guarulhos

     Assim que chegamos, procuramos o escritório da empresa Aerolíneas Argentinas, afim de relatar nossa insatisfação com a mudança de horário de forma tão repentina. A empresa foi extremante cordial e nos disponibilizou uma estadia em um excelente hotel onde passamos a noite.

     A ida para santiago de avião me proporcionou uma viagem sobre as Cordilheiras dos Andes, que mesmo no verão em um sol de 40 graus, os picos da cordilheira se mantêm congelados e criam uma obra de arte única vista do céu.

NOVIDADES NO PLANEJAMENTO 

     Diferente de todas as vezes anteriores, não ficamos em um hostel, a grande jogada da vez, para todas as pessoas que fazem viagens, é o site Airbnb, onde é possível encontrar quarto, kitnet, apartamentos ou até uma casa inteira, por um preço sem impostos e livre de organizações turisticas. Acredite, faz toda a diferença! Esse site é extremamente seguro e ainda dá a oportunidade de se sentir como um residente do lugar onde estiver viajando. Ficamos hospedados no apartamento de Nicole, que nos atendeu maravilhosamente bem, além de seu pai, torcedor do La U, que virou nosso amigo e visitante diário do apartamento, afim de trocar conhecimentos sobre nossos países.

     Alugando um apartamento e ficando de frente para um supermercado, foi fácil perceber que atualmente a comida no Chile é bem mais barata que no Brasil, já que a inflação naquele país quase não elevou os preços, fazendo que o custo de vida mesmo que elevado, seja mais favorável que em uma capital brasileira. Mas, já deixando claro, se for comprar fora, já saia sabendo que é caro, bares, karaokês e restaurantes, chegam a cobrar quase 3 vezes mais caro que no Brasil, dependendo dos lugares onde for.

     Essa vez se caracterizou como a viagem em que tive certeza que viajar com uma empresa de turismo é péssimo negócio. Além de estar preso a roteiro e hotelaria, tem os preços elevados, nada melhor que estar livre, tudo que você precisa pra viajar está na internet, não há como errar. 

DINHEIRO OU CARTÃO?

     Uma opção muito usada para pagamentos à vista no exterior, é o TravelCard ou TravelMoney, com ele é possível depositar um valor em moeda nacional, que será convertido em dólar, e debitado na moeda do país a qual quiser sacar ou fazer compras. Vale ressaltar que existem impostos sobre o cartão e sobre o valor adicionado. Os valores cobrados em impostos não são muito altos, e fazem o cartão ser uma boa opção para viagem.

Travel Card

   O cartão de crédito é usado por muitas pessoa que vão a outro país, porém é bom observar os valores cobrados pela administradora do cartão, pode não ser viável, por conta das altas tarifas. "O barato pode sair caro". 

     Saque em conta é péssimo negócio, sem precisar analisar. As tarifas são altíssimas, e ainda existe uma série tarefas burocráticas, que devem ser feitas antes de liberar o acesso à conta em outro país.

     Por incrível que pareça, a opção mais segura, ainda continua sendo levar dinheiro vivo, assim é possível ir até uma casa de câmbio e fazer a negociação pelo melhor preço, além de acompanhar as movimentações do mercado e fazer as trocas quando o valor mais favorecer. Mas, leve outra forma de reserva, não deposite todos os valores em apenas uma forma, se perder, pode se dar muito mal e passar por sérias dificuldades, então, ter um valor reservado é extremamente importante.

DESENVOLVIMENTO E QUALIDADE DE VIDA

     Nunca vi tantos compatriotas no Chile. Sete anos atravessando fronteiras, e nunca vi tantos brasileiros concentrados em um país específico, assim como no Chile. O motivo é muito claro, a aproximação idiomática, o carisma chileno, a economia solidificada e estabilizada, o bom salário e a qualidade de vida. O Chile, muito provavelmente, se tornará um país desenvolvido até 2020 e os brasileiros, em busca de uma qualidade de vida melhor, tem buscado o país como alternativa.





DEU TUDO CERTO


     É claro que quando se faz uma viagem, espera que tudo dê certo, mesmo sabendo que sempre haverá adversidades, e que surpresas boas ou ruins irão cruzar o caminho, todo mundo espera chegar bem em casa para contar as histórias vividas. Em resumo, dessa vez foi diferente de todas as outras viagens, tive comigo companhias agradáveis por todo o percurso viajado. Não foi um roteiro fácil, porque aprendi muito e por ter 7 anos de viagens pela América do Sul, acabei pensando que não precisava aprender nada mais. Estar com uma mochila nas costas, sendo guia, mochileiro e ao mesmo tempo, sendo cuidadoso com as pessoas que estavam comigo nesse trajeto, foi uma experiência que eu desconhecia e aprendi a conviver na "marra", até mesmo pelo bem da boa convivência. Olhar para a própria personalidade muitas vezes não é uma tarefa das mais agradáveis.
     
Fazendo as malas com os braços queimados de sol
Repouso no Cerro Santa Lucía
     Fontes: Arquivo Pessoal

O QUE VOCÊ "SABE" SOBRE O BRASIL E SUA HISTÓRIA?

Matéria vinculada pela revista Super.
Pesquisadores destroem mitos e revelam o verdadeiro passado do Brasil: um país mais forte, mais complexo e bem mais humano do que ensinaram na escola.
Por Leandro Narloch, autor de "Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil"
jan 2011, 22h00 - Atualizado em 24 out 2016, 16h35


O cenário deve estar quente na sua memória. Nos tempos em que o país era uma colônia de Portugal, só havia por aqui engenhos de cana-de-açúcar, as “plantations”, com centenas de escravos. Portugal passou séculos sugando as nossas riquezas. No século 16, o reino português já havia exterminado o pau-brasil, ganhando a madeira dos índios em troca de bugigangas; no século 18 ainda levou embora o ouro de Minas Gerais. Como todas as exportações brasileiras eram controladas por Portugal, o país ficou limitado a ser uma colônia agrícola. E aí, lembrou-se dessa imagem? Pode esquecê-la. Essa história está virando, literalmente, coisa do passado. Daqui para a frente, vai conviver com esta aqui: no século 18, a economia brasileira é maior que a de Portugal. O país é repleto de rotas interestaduais de comércio de ferramentas, roupas e alimentos, e ainda exporta, fora do controle do rei português, produtos para a Argentina e a costa africana. A descoberta do ouro ergue fortunas que ficam por aqui, tornando o Brasil capaz de ter investimentos para crescer mesmo em épocas de crise internacional. Os homens mais ricos (entre eles, negros e índios) constroem sua fortuna não como latifundiários, mas pelo comércio e emprestando dinheiro a juros. A maioria dos brasileiros é formada por homens livres que mantêm comércios ou pequenas fazendas. Esse novo passado tem sido descoberto por historiadores nos últimos anos. Dezenas de novos estudos apagam silhuetas tradicionais da história brasileira. E montam uma paisagem nova. Nas próximas páginas, conheça a nova história do Brasil.
Uma história mais tranquila
Grande parte da história que os brasileiros conhecem hoje, aquela que ainda está na maioria dos livros didáticos, foi criada (ou virou consenso) entre 1960 e 1980. Era um tempo mais tenso do que hoje. A Guerra Fria dividia os países, os governantes e os intelectuais entre comunistas e capitalistas. Na América Latina, as ditaduras militares calavam jornalistas e professores, torturavam e matavam dissidentes. Se no governo dominavam os capitalistas, a direita, nas universidades predominavam as ideias e os métodos de Karl Marx, o pai do comunismo científico. Para se opor à ditadura, era estimulante ressaltar histórias de dependência internacional, em que classes sociais lutavam entre si e que tinham as grandes potências como as vilãs. “Era uma leitura do passado que nos preparava para a revolução”, diz o historiador Marco Antonio Villa, da Universidade Federal de São Carlos.
Mas o tempo passou. As ditaduras caíram, assim como o Muro de Berlim e a União Soviética. Aos poucos, os pesquisadores ficaram um pouco mais longe das ideologias e passaram a tirar conclusões sem tanto medo de aderir a um ou outro lado da política. “A geração anterior foi muito marcada pela luta ideológica, exacerbada durante os governos militares. Divergências eram logo transpostas para o campo político-ideológico, com prejuízo para o diálogo e a qualidade dos trabalhos”, diz o historiador José Murilo de Carvalho, professor da UFRJ e um dos imortais da Academia Brasileira de Letras. “A nova geração de historiadores formou-se em ambiente menos tenso e polarizado, com maior liberdade de debate e um ambiente intelectual mais produtivo.”
A visão clássica do Brasil colonial nasceu com o intelectual paulista Caio Prado Júnior em 1933. No livro Evolução Política do Brasil, ele afirma que a sociedade brasileira era simples e desigual: “Nos constituímos para fornecer açúcar, tabaco, alguns outros gêneros; mais tarde, ouro e diamantes; depois, algodão, e em seguida café, para o mercado europeu. Nada mais que isso”. Tudo girava em torno do latifundiário, que deixava só miséria por aqui. A teoria de Caio Prado fez um sucesso tremendo nas décadas seguintes.
Até que, nos anos 90, historiadores descobriram dados que não batiam com a teoria. Registros dos portos do Rio de Janeiro e de Salvador mostravam que, em épocas de crise econômica europeia, quando os preços de açúcar e algodão desabavam pelo mundo, no Brasil eles mudavam pouco. Mesmo quando as exportações do Rio de Janeiro diminuíram, a compra de farinha e charque do Rio Grande do Sul aumentava. Esses dados sugerem que havia um bom mercado consumidor no Brasil. Além disso, o testamento dos homens mais endinheirados mostrava que a maioria não fez fortuna exportando cana-de-açúcar, mas fabricando ferramentas ou emprestando dinheiro. Eles compravam fazendas só depois de ricos, para ganhar status de proprietários de terras e eventuais títulos de nobreza.
O mais recente estudo com essa nova visão virou o livro História do Brasil com Empreendedores, de Jorge Caldeira, lançado em 2009. Ele mostra mais um mito do Brasil colonial: a ideia de que só havia por aqui uma enorme massa de escravos e seus senhores. Em 1819, os escravos eram um quarto da população total, de 4,4 milhões de pessoas. E, entre os brasileiros livres, 91% deles não tinham escravos. “Com essa população, o Brasil tinha uma economia maior que a de Portugal”, diz Jorge Caldeira.
Os mitos do outro lado, os da direita, também estão com os dias contados. No caso da Guerra do Paraguai, glorificada pela caserna, hoje ninguém discute que os soldados negros foram entregues à própria sorte no campo de batalha, sendo os primeiros a morrer. Alguns, inclusive, foram à guerra como “substitutos”, no lugar de senhores de escravos que preferiram não arriscar a vida pelo país. Tiradentes, mártir usado como peça de proganda dos governos desde o início da República, teve sua participação na Inconfidência Mineira bem diminuída. Falando em República, hoje se reconhece que, logo depois que os militares a proclamaram, em 1889, o Brasil regrediu em diversos pontos. A censura à imprensa, por exemplo, foi um dos primeiros atos do proclamador em pessoa, o marechal Deodoro da Fonseca.
Mito 1
“A sociedade brasileira se dividia entre senhores e escravos”
Havia mais pessoas livres do que se imagina. No século 18, 40% da população era de escravos. No começo do 19, 25%. E alguns senhores trabalhavam com os negros, já que tinham poucos escravos.
Mito 2
“Portugal apenas sugava nossas riquezas”
A montagem de engenhos e a exploração de ouro trouxeram riquezas para cá, criando um comércio ativo no Brasil. No fim do século 18, nossa economia era maior que a de Portugal.
Mito 3
“Os latifundiários eram as pessoas mais ricas”
Um navio negreiro valia mais que um engenho inteiro. Só 25% dos maiores testamentos eram de fazendeiros, o resto era de comerciantes, banqueiros e traficantes de escravos. Esses homens, para ganhar status, compravam terras no fim da vida.
Mito 4
“A Inglaterra fez o Brasil destruir o Paraguai”
Ao contrário do que se imagina, a diplomacia britânica tentou evitar o conflito. O país tinha investimentos no Brasil e no Paraguai, que ficariam em risco em caso de guerra.
Mito 5
“Aleijadinho era um deficiente físico grave que fez centenas de estátuas sozinho” 
As famosas esculturas são provavelmente fruto de vários e talentosos artistas, que dividiam o trabalho entre si e tinham ajudantes. E a imagem dele como um homem desfigurado pode ser uma criação literária.
Mito 6
“Lampião lutava contra coronéis e latifundiários”
O rei do cangaço prestou favores a grandes coronéis do sertão. Ao mesmo tempo, ameaçava famílias pobres e executava operários que construíam estradas pelo interior do Nordeste.
Mito 7
“O Paraguai era uma potência latente”
Era o país mais atrasado do Cone Sul. O comércio exterior era 6 vezes menor que o do Uruguai, que tinha a metade da população.
Mito 8
“Canudos era uma sociedade igualitária”
A cidade de Antonio Conselheiro não pregava a reforma agrária. Como fora dali, havia miseráveis e pessoas mais ricas.
Mito 9
“Santos Dumont inventou o avião”
O inventor brasileiro foi um gênio. Mas os irmãos Wright voaram 3 anos antes dele e, em 1906, quando o 14 Bis decolou, já tinham um avião bem melhor. A grande aeronave do brasileiro é outra: o Demoiselle, de 1908, primeiro ultraleve da história.
Mito 10
“Os bandei­rantes eram desbravadores europeus”
Os bandeirantes eram filhos de índios com brancos, andavam quase nus e seguiam a cultura tupi-guarani.
Mito 11
“A banana e o coco são nativos do Brasil”
Essas frutas, assim como a jaca, a manga e o abacate e alguns animais, como os cães, não existiam no Brasil. Chegaram aqui a bordo das caravelas europeias.
Mito 12
“A feijoada foi criada com restos da Casa-Grande”
Ao contrário do que muita gente acredita, a feijoada tem origem europeia. Vem da tradição de misturar legumes com carnes, como o cassoulet, francês, feito com carne de porco e feijão branco.
Mito 13
“Os índios do Sudeste foram praticamente extintos “
Enquanto milhares de índios eram dizimados, outros decidiram deixar as aldeias e ir para as cidades, assimilando-se à população. Hoje, na média, 8% do genoma dos brasileiros tem origem indígena.
Mito 14
“Os índios não foram escravizados”
Principalmente durante os séculos 16 e 17, milhares de índios de todo o Brasil e do Paraguai foram levados a São Paulo como escravos. Como outras regiões também precisavam de trabalhadores, começaram a trazer escravos da África.
Mito 15
“Os quilombos lutavam contra a escravidão”
As comunidades lutavam pela liberdade de seu grupo. Mas é provavel que os membros poderosos tivessem escravos próprios.
Mito 16
“A Inglaterra foi contra a escravidão para criar um mercado consumidor”
A luta contra a escravidão na Inglaterra partiu de um movimento religioso e popular. Não passava pela cabeça dos homens de negócio ingleses acabar com a escravidão nas colônias britânicas na América.
Mito 17
“A maioria das fazendas tinha dezenas de escravos”
Os engenhos com muitos escravos eram raridade. No século 18, a maioria estava, em média, em plantéis pequenos, geralmente de 4 ou 5 pessoas.
Mito 18
“Os africanos viviam em tribos selvagens”
Enriquecidos com a venda de algodão, ouro e escravos, alguns reinos africanos ficaram poderosos. Havia por lá exércitos e cidades grandes.
Mito 19
“O samba é um ritmo puramente brasileiro”
O ritmo tem influências que não são do Brasil nem da África. Donga, o músico que gravou o primeiro samba, em 1917, montou bandas de jazz. Sinhô, o “rei do samba” nos anos 30, usava melodias europeias em suas canções.


Uma história destruidora
A história de qualquer país nasceu no berço do patriotismo. Na tentativa de construir um passado comum entre os habitantes e deixá-los orgulhosos do lugar onde viviam, surgiram relatos de grandes artistas e heróis, tradições milenares, mitos da fundação do país e datas nacionais. No Brasil, esse tipo de leitura da história surgiu principalmente com o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), de 1838. O órgão teve uma importância gigantesca para o país. O próprio imperador dom Pedro 2º participava de suas reuniões, de onde saíram os primeiros grandes relatos da história brasileira, caso do Como Se Deve Escrever a História do Brasil, do naturalista Carl von Martius, de 1840, e História Geral do Brasil, escrito por Francisco Varnhagen em 1854. Por trás dessas obras, havia sempre uma moral edificante e uma tentativa de valorizar a pátria.
Esse modo de ver a história cria um vício: tudo passa a ser visto de forma parcial. Se alguém do seu país consegue mesmo um grande feito, tende a ganhar uma aura de herói. E ai de quem questionar seus feitos. A aura em torno de Santos Dumont no Brasil é um dos maiores exemplos disso. Aqui ele é o pai da aviação. E ponto final. No resto do mundo, engenheiros e historiadores consideram os irmãos americanos Orville e Wilbur Wright mais importantes para o pioneirismo das máquinas voadoras. E é fato. Não se trata apenas de esforço dos EUA em vender seus heróis. Ao contrário do que muita gente acredita no Brasil, os irmãos americanos voaram na presença de testemunhas antes de Santos Dumont apresentar o 14 Bis ao mundo. No dia 5 de outubro de 1905, fizeram um único voo de 39 minutos, percorrendo 38,9 quilômetros. Já o 14 Bis, em novembro de 1906, voou 220 metros de distância a uma altura máxima de 6 metros. E foi abandonado 5 meses depois, quando sofreu uma queda lateral e teve uma das asas despedaçadas. Se as últimas linhas despertaram em você alguma emoção mais quente, tenha calma. Ao contrário da história do século 19, a atual não se preocupa em criar ícones de heroísmo nacional e descrever grandes feitos. Na verdade, uma parte dos intelectuais de hoje se dedica a investigar como grandes lendas da história ganharam forma – e esse trabalho tende a destruir mitos consagrados.
Um exemplo lapidar dessa tendência é o livro Aleijadinho e o Aeroplano, publicado pela historiadora Guiomar de Grammont, da Universidade Federal de Ouro Preto, em 2008. A obra mostra como a imagem do escultor mineiro Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, não veio de documentos históricos, mas da cabeça de um escritor.
A primeira biografia de Aleijadinho foi escrita pelo jurista e deputado mineiro Rodrigo Ferreira Bretas em 1858. Mesmo sem fontes e documentos para provar o que dizia, Bretas descreveu seu personagem com detalhes horripilantes. A partir dos 47 anos, o escultor teria sofrido de uma doença desconhecida, que o fizera perder os dedos, os dentes e curvar o corpo. Para poupar os passantes de topar com sua feiúra, o homem entocava-se em igrejas, separado do mundo com cortinas improvisadas. Para a historiadora, o mais provável é que a fonte de inspiração da biografia de Bretas eram personagens literários populares no século 19, como Quasímodo, o corcunda de Notre Dame do livro do escritor francês Victor Hugo. Os dois são impressionantemente parecidos. Como Aleijadinho, Quasímodo era um belo-horrível: apesar de ter uma aparência desfigurada, era capaz de boas ações. A descrição de Victor Hugo caberia muito bem a Aleijadinho: “A careta era o próprio rosto, ou melhor, a pessoa toda era uma horrível careta; entre os dois ombros, uma corcunda enorme da qual o contragolpe se fazia sentir na parte frontal de seu corpo; um sistema de coxas e de pernas tão estranhamente tortas que se tocavam apenas por meio dos joelhos”. O personagem de Bretas era tão fascinante que pegou. O biógrafo ganhou prêmios de dom Pedro 2º e virou sócio-correspondente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.
No começo do século 20, os modernistas viram em Aleijadinho a expressão da cultura mestiça brasileira, já que o escultor era filho de um português com uma escrava. O problema é que isso é uma das poucas coisas que se sabe mesmo sobre Antônio Francisco Lisboa. Não só a biografia escrita sem base em documentos e décadas depois de sua morte não ajuda como também há outro empecilho: não dá para saber quais obras realmente são dele. Não havia o costume de assinar esculturas naquela época. Mas a lenda em torno de seu nome ficou tão forte que Aleijadinho virou uma grife. E o número de obras atribuídas a ele explodiu. Na década de 1960, eram 160 esculturas; hoje são mais de 400. Pesquisadores consideram isso um exagero. Mas, ao que parece, a verdade não importa tanto. A aura vale mais. Só que a nova historiografia pode acabar com isso.
Uma história de baixo para cima
Por 3 séculos, os homens mais poderosos na vila que deu origem a Niterói, no Rio de Janeiro, eram os Souzas. Em 1644, Portugal concedeu a um rapaz chamado Brás de Souza o cargo de capitão-mor daquela aldeia. A justificativa era que se tratava de um “descendente dos Souzas, que sempre exercitaram o dito cargo”. O reino deu um argumento parecido 150 anos depois, quando outro Souza, Manoel, ganhou o cargo de capitão-mor. Segundo o órgão do reino português, o homem devia receber o posto porque tinha uma “ascendência nobre”. O curioso é que aqueles senhores bem-nascidos não eram descendentes de nenhum português com sangue azul. O primeiro Souza daquela região se chamava Arariboia. Era o líder da tribo dos temiminós que, no século 16, se aliaram aos portugueses para expulsar os franceses e os índios tupinambás do Rio de Janeiro. Depois da vitória, os índios ganharam um nome português e se instalaram por ali. Menos de 100 anos depois, seus descendentes já não se viam como índios: eram os Souzas.
Até pouco tempo atrás, a história do Brasil admitia só dois personagens indígenas: ou a vítima passiva ou o selvagem rebelde. Mas uma nova figura surgiu: o índio colonial, aquele que se mudou para as cidades e adotou um nome português. Isso aconteceu com os descendentes de Arariboia e com índios de todo o Brasil. Em Minas Gerais, despachos do governador mineiro mostram que muitos índios coropós, gavelhos e croás, que há até pouco tempo eram considerados extintos, se mudaram para as cidades para tentar lucrar com a corrida do ouro do século 18. Em São Paulo, censos de 1798 a 1803 mostram centenas de índios com endereço, nome português e profissão – havia agricultores, carpinteiros, músicos…
Outra paisagem que está mudando é a que retrata os bandeirantes, os sertanistas que exploravam o interior do Brasil em busca de ouro e índios que levavam a São Paulo como escravos. Nos quadros clássicos, eles aparecem fortes, bem-vestidos, submetendo os nativos à sua vontade. Imagens assim surgiram no século 19, 2 ou 3 séculos depois de os bandeirantes explorarem as florestas brasileiras. Escritores paulistas, na tentativa de criar um passado heróico para São Paulo, reverenciaram os bandeirantes e os descreveram à sua imagem e semelhança, sem influência indígena. “Era uma paisagem imaginada, já que não existem imagens deles anteriores a 1810”, diz o escritor Jorge Caldeira. Hoje, acredita-se que a diferença entre índios e bandeirantes fosse bem menor.
Se os bandeirantes tinham alguma roupa, ela se desfazia depois de poucos meses no meio do mato. Por isso, andavam provavelmente nus e descalços. Filhos de portugueses com mulheres nativas, eram mestiços. Muitos cresceram nas aldeias convivendo com tios, primos e irmãos índios. A maioria tinha várias mulheres, dando de ombros à vigilância dos jesuítas, que proibiam a poligamia. “Para a cultura tupi-guarani, um aliado tinha que ser parte da família. Era uma exigência dos líderes indígenas que os europeus tivessem mulheres índias. Isso favoreceu o surgimento de uma população profundamente miscigenada”, afirma Caldeira. Um bom exemplo de bandeirante-índio é Domingos Jorge Velho, que destruiu o Quilombo de Palmares em 1695. Filho de uma índia e de um português, ele cresceu entre aldeias. Ao chegar a Pernambuco para lutar contra Zumbi, teve problemas para se comunicar com as autoridades pernambucanas: ele não falava português, só tupi-guarani.
Essas descobertas são resultado de um novo jeito de ler a história indígena. Em vez de se concentrar nos relatos dos brancos, os pesquisadores passaram a olhar a história de baixo para cima, a partir de como os mais fracos (no caso, os índios) agiam e pensavam. Quando adotaram essa nova abordagem, os historiadores tomaram um susto. Perceberam que os índios não foram só vítimas. Também souberam se adaptar aos invasores e, principalmente, protagonizaram episódios fundamentais na história do Brasil. Algumas tribos tinham poder suficiente para negociar com os brancos, traçar estratégias e fazer sua vontade prevalecer. Isso também vale para as bandeiras e as guerras indígenas. “Certos conflitos europeus no Brasil também eram guerras de índios contra índios”, diz o professor Antonio Carlos Jucá, da UFRJ. Em 1565, por exemplo, o padre José de Anchieta estranhou que os tupinambás de repente tentaram ficar amigos dos colonos portugueses. Para o padre, o motivo da aproximação era estratégico, pois aqueles índios tinham um “desejo grande de guerrear com seus inimigos tupis, que se levantaram contra nós”.
Uma história com pessoas
Conheça 3 mulheres da história do Brasil: Joanna Baptista, Caetana e Bárbara Gomes de Abreu e Lima.
– Joanna Baptista foi uma mulher livre que, em 1780, em Belém do Pará, decidiu se vender como escrava. Cobrou, por si própria, 40 mil-réis em dinheiro e outros 40 mil em jóias e roupas. A venda foi registrada em escritura por um tabelião, na presença do comprador e de duas testemunhas. O documento conta que Joanna, doente, decidiu se tornar escrava porque “se achava sem pai nem mãe que dela pudessem tratar, e nem tinha meios para viver em liberdade, e para poder viver em sossego, empregando-se no serviço de Deus e de um senhor que dela tivesse cuidado e em suas moléstias a tratasse”.
– Em 1835, Caetana, escrava de uma fazenda de café de Rio Claro, em São Paulo, foi obrigada a casar com o escravo Custódio. No começo ela aceitou. Depois, bateu o pé e se recusou a dormir com o marido. Pediu ao seu dono, o capitão Tolosa, para anular o casório. O senhor da escrava topou. Contratou um advogado, que montou uma petição para a Justiça eclesiástica. Contrariando o machismo e a falta de direitos dos escravos daquela época, Caetana conseguiu anular seu casamento.
– Uma das pessoas mais ricas da vila mineira de Sabará no século 18 foi a ex-escrava Bárbara Gomes de Abreu e Lima. Dona de um casarão em frente à Igreja Matriz, ela tinha 7 escravos, revendia ouro e controlava negócios em diversas cidades de Minas e da Bahia. A herança incluía dezenas de saias, vestidos, joias e artefatos de metais preciosos.
Essas 3 mulheres dificilmente se encaixam em alguma lógica ou em teorias tradicionais da história do Brasil. Como pode uma pessoa livre querer virar vítima de um sistema cruel? Por que uma ex-escrava, depois de se libertar da escravidão, se tornaria dona de escravos? Casos como os delas, descobertos na última década por historiadores brasileiros e americanos, são exemplos de mais uma diferença da nova história do Brasil: tentar contar uma história com pessoas.
A geração anterior, que inspirou nossos livros didáticos, consideraria essas mulheres exceções. O método predominante lá atrás era montar teorias gerais, grandes esquemas para explicar as origens da sociedade brasileira. Nessa leitura do passado, sociológica, o que mais importava eram as dinâmicas das classes sociais e as relações econômicas entre os países. Indivíduos que não agiam conforme uma lógica de classes ficavam de fora dos livros.
Aos escravos e ex-escravos, só havia duas possibilidades de comportamento: ou eles eram submissos, vítimas eternamente passivas do sistema escravista, ou rebeldes que morriam lutando contra a escravidão. Nos últimos 20 anos, cartas comerciais, registros de cartório, testamentos e arquivos judiciais revelaram personagens mais complexos do que as teorias sociológicas mostravam. “Sabemos hoje que não havia apenas uma forma de responder à escravidão. Como pessoas inteligentes, cada escravo traçava suas estratégias”, diz o historiador Antonio Carlos Jucá de Sampaio, da UFRJ. Claro que eram estratégias limitadas a um contexto de total falta de direitos. Mas ainda assim cada um tinha sua maneira de exercer o pouco que tinha de livre-arbítrio de modo a obter uma vida menos ruim. “Isso explica por que, enquanto alguns escravos fugiam para os quilombos, outros ganhavam armas para cuidar das fazendas.”
Também veio à tona uma influência bem maior da África na escravidão brasileira. Capturando e vendendo escravos para os europeus, alguns reinos africanos ficaram riquíssimos. Um exemplo é o reino do Daomé, atual Benin. No século 18, havia por lá estradas, pontes vigiadas por guardas e cidades com 28 mil pessoas. As relações comerciais eram tão intensas que, em 1795, dois embaixadores do Daomé fizeram uma longa viagem diplomática à Bahia e a Portugal para negociar o monopólio da venda de escravos.
A América também funcionava como um abrigo de nobres africanos que perdiam disputas pelo poder. Foi assim que um príncipe africano chamado Fruku chegou ao Brasil. Mandado para cá como escravo, logo conseguiu comprar sua alforria. Mesmo exilado no Brasil, permaneceu atento à política do outro lado do Atlântico. Vinte anos depois, quando a situação política do Daomé melhorou para o seu lado, ele voltou à África para tentar reaver seu trono, dessa vez com o nome de “dom Jerônimo, o Brasileiro”.
Se você pudesse entrar num De Lorean do De Volta para o Futuro e viajar para 2 ou 3 séculos atrás, poderia, sim, topar com a imagem que os professores descrevem na escola, aquela do engenho de cana-de-acúcar com centenas de escravos. Mas também veria cenas diferentes. “Diversos estudos novos mostram que a maioria dos senhores tinha poucos escravos. Eram grupos pequenos”, diz Renato Marcondes, professor de história econômica da USP. Você ficaria surpreso ao perceber que alguns desses senhores eram negros. Sabe-se hoje que, em muitas vilas e cidades brasileiras, ex-escravos eram uma parte considerável dos donos de escravos. Em Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro, um terço dos donos de escravos era de negros. Em Santiago do Iguape, 46,5%. Mais: “Como o número de escravos era menor que o necessário, podemos supor que o dono da fazenda e seus filhos trabalhavam na roça ao lado dos escravos”, diz Bert Barickman, historiador da Universidade do Arizona e autor do livro Um Contraponto Baiano.
Nada disso suaviza o fato de que 4 milhões de africanos foram trazidos à força, ficando entregues aos castigos dos seus senhores. Mas uma história contada do ponto de vista das pessoas, não das ideologias, até deixa os absurdos mais claros: Isabel, uma escrava da Bahia, foi jogada viva, e grávida, numa fornalha porque contou para a mulher de seu dono que ele a traía, por exemplo. Crimes assim são uma vergonha eterna. Mas a criação de um passado fictício não irá vingá-los.
Para saber mais
Homens de Grossa Fortuna
João Luís Fragoso, Civilização Brasileira, 1998.
Aleijadinho e o Aeroplano
Guiomar de Grammont, Civilização Brasileira, 2008.

Fonte:
http://super.abril.com.br/historia/a-nova-historia-do-brasil/?utm_source=redesabril_jovem&utm_medium=facebook&utm_campaign=redesabril_super


O PODER DA RÚSSIA NUM FUTURO PRÓXIMO


A RÚSSIA 

Há algum tempo, através de documentários, livros e conversando com amigos, tive a oportunidade de analisar e chegar a algumas conclusões sobre a Rússia, vendo pontos de vista bem distintos sobre o significado desse país para o mundo. Pensei em fazer um estudo detalhado, comparando o país que um dia foi potência desde o início do século XIX, a grandiosa potência do início do século XX, o que conhecemos hoje, e o que poderá ser em um futuro muito próximo. Uma das referências mais bem elaboradas sobre a evolução das grandes potências mundiais e seus rumos na história, está no livro O Segundo Mundo - Impérios e Influência na Nova Ordem Global, de Parag Khanna. Esse livro mostra como os países mais ricos se preparam para a ascensão dos emergentes e quais os efeitos para a economia e desenvolvimento geopolítico. Ironicamente, a Rússia é tratada, como nas frases de Churchill "uma charada envolta em mistério dentro de um enigma", simbolizando a imprevisibilidade. E realmente é imprevisível. Mas algo muito claro vem se tornando cada dia mais real dentro da nova ordem que se estabelece mundialmente. A Rússia terá que se desdobrar, e muito, se quiser continuar tendo a atual extensão territorial e principalmente a imagem de uma "potência".

A verdade é que ninguém sabe onde a Rússia poderá chegar, é uma potência territorial, mas, tem seu poder político fracionado. Ninguém deseja que a Rússia seja uma grande potência, nem mesmo que ela entre numa crise sem fim, nisso todas as potências atuais tem consenso. O fato é que o país nunca foi o mesmo depois da dissolução da União Soviética e nunca será, por esse motivo existe uma preocupação constante em criar uma imagem da nova Rússia, um país que ainda assusta aos ocidentais, despreparados para tanta "felicidade" promovida por esse povo.


Atualmente dois órgãos "mandam" no país, a antiga KGB e a Gazprom. Segundo o Jornal Publico Portugal, talvez nada simbolize melhor a Rússia de hoje do que a Gazprom. Curiosamente desde que a União Soviética chegou ao fim, os presidentes que chegaram ao poder foram justamente um ex-agente da KGB e um secretário da Gazprom, respectivamente, Vladimir Putin e Dmitri Medvedev e alternando o poder como primeiro ministro. 

"A Gazprom é uma empresa única. Não há nenhuma igual noutros países devido ao papel do gás na vida econômica russa e ao volume dos seus recursos."
(Dmitry Medvedev, Presidente da Rússia e ex-presidente do conselho de administração da Gazprom, Dezembro de 2007)

A Europa vem aproveitando a integração de novos países para sua União Européia, potencializando o recebimento de gás natural sem o controle de preços e a influência russa, que literalmente ainda dita os preços no velho continente. Sem a Europa submetida aos "prazeres" russos, a Gazprom terá que se reinventar como empresa e fazer altíssimos investimentos, se em algumas décadas não quiser deixar de ser a mais influente empresa nesse ramo e detentora do poder de praticamente todo o gás da Europa. Para se ter uma ideia, a empresa vem registrando quedas consecutivas nos lucros e na produção em relação aos últimos anos. Na comparação com 2004, a redução foi de 15,4%.

Pensando em expandir seus negócios para regiões prósperas antes que uma catástrofe econômica culmine em uma crise na estatal e consequentemente uma crise na própria Rússia, o país aprofundou seus laços com a Ásia, e por isso a Gazprom precisou arcar com a construção de um novo gasoduto de US$ 50 bilhões para a China, que levará anos até se tornar lucrativo. Uma "saída de mestre" para fugir da "obrigação" de vender pra Europa para manter os lucros.




POP - EUA

Existiu um tempo em que a União Soviética guerrilhava com os Estados Unidos. Nessa guerra, nenhum míssil sequer foi lançado ou país invadido, era uma guerra ideológica. A melhor maneira de convencer que os Estados Unidos eram melhores, era disseminar a imagem de felicidade, a musicalidade, a liberdade, as cores, músculos de heróis capazes de morrer por sua nação, mas que não perdiam a simplicidade ou o perfil de um cidadão "comum". Qualquer um poderia ser um John Rambo, Rocky Balboa ou Ferris (personagem do filme Curtindo a Vida Adoidado ou O Rei dos Gazeteiros, ícone dos anos 80, auge da guerra fria).

No filme Rocky IV, interpretado por Sylvester Stallone, um lutador "baixinho", mas com grande coração, um humilde campeão americano, é intimado a lutar contra um soviético. Ivan Drago, um campeão olímpico arrogante, grosseiro, interpretado por Dolph Lundgren, a União Soviética era "do mal", precisava ser derrotada. 

A luta seria em solo russo, um sinal de que os EUA não conheciam o inimigo. Os russos usavam em seu treinamento anabolizantes, altíssima tecnologia, arrogância e mais arrogância. Por outro lado, os americanos treinaram ao ar livre, Rocky preferiu a simplicidade, impossível não estar do lado do "bem". O filme passa a ideia de que os Estados Unidos eram menores que a União Soviética, assim como sua extensão territorial, derrotar algo tão grande não seria nada fácil, mas Rocky, com sua vontade de vencer, suporta apanhar até o final da luta, onde uma força, sabe lá de onde, derrubaria Drago, derrubaria a União Soviética. Ao soar o gongo, em torno de uma platéia russa, hostilizadora, Rocky era vaiado, logo, não desiste, os russos se "apaixonam" pelo americano, e estavam ao final gritando o nome de um americano em solo russo, queriam que o americano vencesse em sua própria terra (em filme e desenho, principalmente americanos, se pode tudo).


Na realidade, a URSS perderam a guerra, não para os EUA, perderam para a cultura Pop. A humanidade não queria o socialismo, assim como as mídias representaram a Rússia matando os Ucranianos nos anos de 1932 e 1933, nem a frieza e falta de sorrisos dos soviéticos. No capitalismo o dinheiro poderia te dar o que "quiser" comprar, você poderia falar mal dos seus governantes e não teria problemas com isso, você poderia cantar sua música predileta na rua e comprar milhões de produtos feitos "com todo amor" por algum empresário capitalista.

POP - RÚSSIA

Atualmente a Rússia vem introduzindo na Ásia Central um modelo Pop muito parecido ao que derrotou e culminou no fim do seu sistema político e econômico no início da década de 90 pelos EUA. Vídeos na internet mostram um país totalmente diferente do conhecido pelo mundo ocidental. Os russos riem, se divertem, eles são legais, o canal juntamente com a série de vídeos We Love Russia, quer dizer, Nós Amamos a Rússia, frase criada para ser dita como referência ao país, mostra o quanto existe alegria na "nova Nação". Filmes russos com altíssimas produções e investimentos, vem tomando espaço no cenário mundial, pouco, vagarosamente, mas vem. Produtos importados lotam suas lojas, e vendem muito.


A revolução cultural da Rússia está principalmente na música. No maior festival musical da Europa, o aclamado Eurovision, a Rússia vem crescendo e tomando status de potência musical de uma forma estrondosa. Artistas como Sergey Lazarev, Polina Gagarina, Serebro e t.A.T.u. se tornaram ícones da música internacional, Dima Bilan se sagrou campeão em 2008 com a canção Believe. A influência Pop da Rússia tem  sido tão iminente, que, cantores de países vizinhos tem gravados suas canções em sua língua materna, além de inglês e russo. Um grande mercado para vender seus singles.

POP, DOIS PESOS, DUAS MEDIDAS ECONÔMICAS E POLÍTICAS

Investir na cultura pop e no estilo de vida europeu é um excelente investimento para países que estão "ocidentalizados", mas, a Rússia pode sair perdendo e muito nessa nova investida, criando cidadãos que se identificam europeus e perder um pouco do orgulho russo. Países mais tradicionais culturalmente, como a Ucrânia, Moldávia, Geórgia, Estônia e Letônia, contam com grupos extremistas e separatistas, capazes de dividir sua nação em prol de não se distanciar da identidade russa, a mudança radical rumo a uma cultura ocidental, pode fazer a influencia sobre esses países minar.

A União Européia é sedutora, consegue atrair quase todos os países da Europa, para se integrarem culturalmente e geopoliticamente, então a Rússia aponta para a Ásia Central, onde por centenas de anos impões suas práticas.

Pode ganhar, mas, se perder, perderá muito e não será mais possível se recuperar. É uma jogada sem volta.

O PUTIN É POP

A intenção é mostrar que o Presidente russo é mesmo um Popstar, criar uma impressão que a Rússia tem um presidente esportista, forte, defensor da Pátria, capaz de amparar a nação em seus braços. É mais que comum, vez ou outra aparecerem notícias bizarras envolvendo o presidente Putin, que "milagrosamente" salva alguém ou dá um exemplo de sua bravura, justamente no momento em que alguma câmera o filma. É inclusive chamado de Rambo russo pela imprensa internacional. Adepto de várias modalidades esportivas, além de ser ex agente da antiga inteligencia - KGB, é aplaudido pelos russo e ao mesmo tempo, acredite, um dos poucos presidentes no mundo que tem aceitação e admiração para com todas as nações. Um feito difícil pra uma nação desse tamanho. É tão aplaudido, que quase certamente ganhará novamente as próximas eleições presidenciais.







Na canção Такого как Путин (Takogo kak Putin), em português, Seja Como Putin.


O MEDO DE KALININGRADO

Você alguma vez abriu um mapa-mundi e reparou que entre a Polônia e a Lituânia tem um espaço vazio no meio do nada na Europa? Não é um espaço vazio, nem um território independente, é a Rússia. Esse território se chama Kaliningrado, literalmente um pedacinho da Rússia no coração da Europa. Antes chamado Königsberg, esse território foi tomado pela URSS, em 1946, no final da segunda guerra mundial, como parte de um acordo. Até então, a cidade que de 1457 até 1945 foi capital e centro cultural e econômico da Prússia, pertence à Rússia.

Para a Russia, esse pedacinho no centro da Europa é de vital importância, e serve para diversos temas. Suponha que uma guerra da Europa contra a Rússia comece. A Rússia está no centro da Europa, não seria problema a distância, afim de enviar tropas ou atacar o velho continente. Politicamente também mostra a força russa nessa região. 

Existem grupos separatistas nessa região, os mais diversos, mas, ninguém ousa debater esse tema, nenhum país se quer da apoio ou combate, é perigoso mexer no orgulho russo. E a Russia envia gás, petróleo, faz uma parte ativa na economia européia, Kaliningrado, então, é um pequenino espaço do ego russo, onde ninguém vai se atrever a mexer externamente. Somente o próprio povo de lá pode se tornar uma nação ou se unificar a outra, mas, difícil que aconteça por influencia internacional. A marca do ego e do orgulho, ecoam infinitamente para o mundo, com o sinal de, "não mexam conosco, pode custar caro, muito caro".


A CRIMEIA É DE QUEM AFINAL?

A Crimeia é uma região importante por seu valor estratégico, histórico e cultural.
A importância estratégica da Crimeia está na sua localização e posição geográfica, além de oferecer vantagens econômicas e comerciais.
A Crimeia foi uma província semiautónoma da Ucrânia localizada na região sul do país, em uma península situada às margens do Mar Negro. Trata-se de uma zona que, sempre possuiu fortes relações étnicas e políticas com a ‎Rússia‬, sendo um dos principais entraves entre os dois países em âmbito diplomático.
O principal valor estratégico da Crimeia é, sem dúvida, a sua posição geográfica. A região representa uma saída importante para o Mar Negro, que é o único porto de águas quentes da Rússia. Isso significa que essa zona possui relevância tanto em nível comercial quanto no plano militar para os russos, por facilitar a movimentação de cargas e por garantir o controle do canal que liga esse ‪mar‬ ao Mar de Azov.
Em um acordo firmado em 2010, a Rússia instalou uma base militar em Sebastopol, cidade localizada no sul da Crimeia, com a permanência prevista até o ano de 2042. Em troca, o governo de Moscou cedeu US$ 40 bilhões de dólares em gás natural, fonte de ‪‎energia‬ da qual a Ucrânia é extremamente dependente.
No dia 27 de fevereiro de 2014, cinco dias após o presidente da Ucrânia Viktor Yanukovych ser deposto de suas funções presidenciais, o Parlamento da Crimeia anunciou um referendo para o dia 25 de maio de 2014, para decidir se a população crimeana optaria por uma anexação à Rússia ou se optaria pela restauração da Constituição da Crimeia de 1992 que, basicamente, daria mais autonomia à região e a tornaria mais independente da Ucrânia. Tal atitude foi repudiada firmemente pelo governo provisório da Ucrânia, Estados Unidos e diversos países da União Europeia. Em contrapartida, a Rússia apoiou e afirmou que reconheceria o resultado desse referendo. A decisão do Parlamento da Crimeia não pareceu ser uma decisão isolada visto que os deputados do Parlamento foram, praticamente, unânime em votar pela realização do referendo e a grande maioria dos cidadãos da Crimeia manifestaram firme apoio através de passeatas. Apesar do amplo apoio da maioria dos cidadãos da Crimeia, a minoria composta por tártaros e ucranianos anunciaram que boicotariam o referendo.
No dia 2 de março de 2014, o Primeiro-ministro da Crimeia, Sergey Aksyonov, anunciou que o referendo seria antecipado para o dia 16 de março do mesmo ano, provocando medidas mais severas da comunidade internacional, capitaneada pelos Estados Unidos e União Europeia, que se apressaram em adiantar que o referendo seria ilegal e que não reconheceriam o mesmo. Tais medidas contrastaram com a medida da Rússia que continuou afirmando seu apoio a legitimidade do referendo e que reconheceria o resultado do mesmo apesar da grande pressão diplomática dos outros países.
No dia 10 de março, 78 de um total de 100 integrantes do parlamento regional da Crimeia aprovaram a declaração de independência da península em relação à Ucrânia, na qual foi invocada a Carta das Nações Unidas, foi citado o precedente da Independência do Kosovo e uma série de outros documentos internacionais que estabelecem o direito dos povos à autodeterminação, por outro lado, as autoridades de Kiev afirmaram que não vão reconhecer a decisão de um parlamento que consideram ilegal.
No dia 15 de março de 2014, na véspera do referendo da Crimeia, o Conselho de Segurança da ONU se reuniu para votar por uma resolução que condenasse e não reconhecesse o referendo da Crimeia. 13 dos 15 países do Conselho votaram a favor da resolução, com a China se abstendo. Como a Rússia tem poder de veto, ela votou contra a resolução e, assim sendo, a resolução não foi aprovada.
No dia 16 de março de 2014, enfim, é realizado o referendo da Crimeia, alheio a diversas críticas e ameaças da comunidade internacional e com o apoio pertinente da Rússia.
No dia 17 de março de 2014, cumprindo as previsões iniciais, a República Autônoma da Crimeia anuncia o resultado final de seu referendo apontando que cerca de 95,5% dos votos optaram pela anexação do território à Rússia.
Com o resultado do referendo, no mesmo dia de 17 de março, o Parlamento da Crimeia aprovou por unanimidade e declarou, oficialmente, a Crimeia independente da Ucrânia ao mesmo tempo que oficializou o pedido de anexação à Rússia ao presidente Vladimir Putin. Paralelo ao resultado do referendo, houve protestos e ameaças da Ucrânia e demais países, como Estados Unidos e União Europeia, que ressaltaram não reconhecer o resultado do referendo, que julgam ser constitucionalmente ilegal.
No dia 18 de março, o presidente Vladimir Putin fez um discurso a parlamentares russos no qual defendeu a reintegração da Crimeia à Rússia, e logo depois foi assinado um tratado de anexação da península à Federação Russa.
No dia 22 de março, o presidente Vladimir Putin sancionou a lei que completa a reintegração da Crimeia à Rússia, desafiando líderes ocidentais que continuavam afirmando que a Crimeia seria parte da Ucrânia.
Atualmente a Crimeia faz parte da Rússia, porém, ainda existe conflitos e resistência do governo da Ucrânia, juntamente com outros países ocidentais, prova de que esse é apenas mais um capítulo da história.



Fontes: 
http://www.russobras.com.br/images/subdiv.jpg
http://g1.globo.com/globo-news/noticia/2014/03/conheca-cinco-regioes-russas-que-querem-se-separar-do-pais.html
Khanna, P. O segundo mundo: Impérios e Influência na Nova Ordem Global, 
https://www.publico.pt/temas/jornal/gazprom-o-gigante-russo-261429
http://www.gazetadopovo.com.br/mundo/new-york-times/gazprom-ve-seu-poder-reduzido-e5rcynx4a8idygmkggmjl499a
http://www.petronoticias.com.br/archives/78758
https://pt.wikipedia.org/wiki/Holodomor
https://pt.wikipedia.org/wiki/K%C3%B6nigsberg
http://port.pravda.ru/russa/20-03-2014/36453-discurso_putin-0/
http://br.reuters.com/article/topNews/idBRSPEA2K01K20140321
http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2014/03/1426423-obama-diz-a-putin-que-eua-nao-reconhecem-resultado-de-referendo.shtml