O PODER DA RÚSSIA NUM FUTURO PRÓXIMO


A RÚSSIA 

Há algum tempo, através de documentários, livros e conversando com amigos, tive a oportunidade de analisar e chegar a algumas conclusões sobre a Rússia, vendo pontos de vista bem distintos sobre o significado desse país para o mundo. Pensei em fazer um estudo detalhado, comparando o país que um dia foi potência desde o início do século XIX, a grandiosa potência do início do século XX, o que conhecemos hoje, e o que poderá ser em um futuro muito próximo. Uma das referências mais bem elaboradas sobre a evolução das grandes potências mundiais e seus rumos na história, está no livro O Segundo Mundo - Impérios e Influência na Nova Ordem Global, de Parag Khanna. Esse livro mostra como os países mais ricos se preparam para a ascensão dos emergentes e quais os efeitos para a economia e desenvolvimento geopolítico. Ironicamente, a Rússia é tratada, como nas frases de Churchill "uma charada envolta em mistério dentro de um enigma", simbolizando a imprevisibilidade. E realmente é imprevisível. Mas algo muito claro vem se tornando cada dia mais real dentro da nova ordem que se estabelece mundialmente. A Rússia terá que se desdobrar, e muito, se quiser continuar tendo a atual extensão territorial e principalmente a imagem de uma "potência".

A verdade é que ninguém sabe onde a Rússia poderá chegar, é uma potência territorial, mas, tem seu poder político fracionado. Ninguém deseja que a Rússia seja uma grande potência, nem mesmo que ela entre numa crise sem fim, nisso todas as potências atuais tem consenso. O fato é que o país nunca foi o mesmo depois da dissolução da União Soviética e nunca será, por esse motivo existe uma preocupação constante em criar uma imagem da nova Rússia, um país que ainda assusta aos ocidentais, despreparados para tanta "felicidade" promovida por esse povo.


Atualmente dois órgãos "mandam" no país, a antiga KGB e a Gazprom. Segundo o Jornal Publico Portugal, talvez nada simbolize melhor a Rússia de hoje do que a Gazprom. Curiosamente desde que a União Soviética chegou ao fim, os presidentes que chegaram ao poder foram justamente um ex-agente da KGB e um secretário da Gazprom, respectivamente, Vladimir Putin e Dmitri Medvedev e alternando o poder como primeiro ministro. 

"A Gazprom é uma empresa única. Não há nenhuma igual noutros países devido ao papel do gás na vida econômica russa e ao volume dos seus recursos."
(Dmitry Medvedev, Presidente da Rússia e ex-presidente do conselho de administração da Gazprom, Dezembro de 2007)

A Europa vem aproveitando a integração de novos países para sua União Européia, potencializando o recebimento de gás natural sem o controle de preços e a influência russa, que literalmente ainda dita os preços no velho continente. Sem a Europa submetida aos "prazeres" russos, a Gazprom terá que se reinventar como empresa e fazer altíssimos investimentos, se em algumas décadas não quiser deixar de ser a mais influente empresa nesse ramo e detentora do poder de praticamente todo o gás da Europa. Para se ter uma ideia, a empresa vem registrando quedas consecutivas nos lucros e na produção em relação aos últimos anos. Na comparação com 2004, a redução foi de 15,4%.

Pensando em expandir seus negócios para regiões prósperas antes que uma catástrofe econômica culmine em uma crise na estatal e consequentemente uma crise na própria Rússia, o país aprofundou seus laços com a Ásia, e por isso a Gazprom precisou arcar com a construção de um novo gasoduto de US$ 50 bilhões para a China, que levará anos até se tornar lucrativo. Uma "saída de mestre" para fugir da "obrigação" de vender pra Europa para manter os lucros.




POP - EUA

Existiu um tempo em que a União Soviética guerrilhava com os Estados Unidos. Nessa guerra, nenhum míssil sequer foi lançado ou país invadido, era uma guerra ideológica. A melhor maneira de convencer que os Estados Unidos eram melhores, era disseminar a imagem de felicidade, a musicalidade, a liberdade, as cores, músculos de heróis capazes de morrer por sua nação, mas que não perdiam a simplicidade ou o perfil de um cidadão "comum". Qualquer um poderia ser um John Rambo, Rocky Balboa ou Ferris (personagem do filme Curtindo a Vida Adoidado ou O Rei dos Gazeteiros, ícone dos anos 80, auge da guerra fria).

No filme Rocky IV, interpretado por Sylvester Stallone, um lutador "baixinho", mas com grande coração, um humilde campeão americano, é intimado a lutar contra um soviético. Ivan Drago, um campeão olímpico arrogante, grosseiro, interpretado por Dolph Lundgren, a União Soviética era "do mal", precisava ser derrotada. 

A luta seria em solo russo, um sinal de que os EUA não conheciam o inimigo. Os russos usavam em seu treinamento anabolizantes, altíssima tecnologia, arrogância e mais arrogância. Por outro lado, os americanos treinaram ao ar livre, Rocky preferiu a simplicidade, impossível não estar do lado do "bem". O filme passa a ideia de que os Estados Unidos eram menores que a União Soviética, assim como sua extensão territorial, derrotar algo tão grande não seria nada fácil, mas Rocky, com sua vontade de vencer, suporta apanhar até o final da luta, onde uma força, sabe lá de onde, derrubaria Drago, derrubaria a União Soviética. Ao soar o gongo, em torno de uma platéia russa, hostilizadora, Rocky era vaiado, logo, não desiste, os russos se "apaixonam" pelo americano, e estavam ao final gritando o nome de um americano em solo russo, queriam que o americano vencesse em sua própria terra (em filme e desenho, principalmente americanos, se pode tudo).


Na realidade, a URSS perderam a guerra, não para os EUA, perderam para a cultura Pop. A humanidade não queria o socialismo, assim como as mídias representaram a Rússia matando os Ucranianos nos anos de 1932 e 1933, nem a frieza e falta de sorrisos dos soviéticos. No capitalismo o dinheiro poderia te dar o que "quiser" comprar, você poderia falar mal dos seus governantes e não teria problemas com isso, você poderia cantar sua música predileta na rua e comprar milhões de produtos feitos "com todo amor" por algum empresário capitalista.

POP - RÚSSIA

Atualmente a Rússia vem introduzindo na Ásia Central um modelo Pop muito parecido ao que derrotou e culminou no fim do seu sistema político e econômico no início da década de 90 pelos EUA. Vídeos na internet mostram um país totalmente diferente do conhecido pelo mundo ocidental. Os russos riem, se divertem, eles são legais, o canal juntamente com a série de vídeos We Love Russia, quer dizer, Nós Amamos a Rússia, frase criada para ser dita como referência ao país, mostra o quanto existe alegria na "nova Nação". Filmes russos com altíssimas produções e investimentos, vem tomando espaço no cenário mundial, pouco, vagarosamente, mas vem. Produtos importados lotam suas lojas, e vendem muito.


A revolução cultural da Rússia está principalmente na música. No maior festival musical da Europa, o aclamado Eurovision, a Rússia vem crescendo e tomando status de potência musical de uma forma estrondosa. Artistas como Sergey Lazarev, Polina Gagarina, Serebro e t.A.T.u. se tornaram ícones da música internacional, Dima Bilan se sagrou campeão em 2008 com a canção Believe. A influência Pop da Rússia tem  sido tão iminente, que, cantores de países vizinhos tem gravados suas canções em sua língua materna, além de inglês e russo. Um grande mercado para vender seus singles.

POP, DOIS PESOS, DUAS MEDIDAS ECONÔMICAS E POLÍTICAS

Investir na cultura pop e no estilo de vida europeu é um excelente investimento para países que estão "ocidentalizados", mas, a Rússia pode sair perdendo e muito nessa nova investida, criando cidadãos que se identificam europeus e perder um pouco do orgulho russo. Países mais tradicionais culturalmente, como a Ucrânia, Moldávia, Geórgia, Estônia e Letônia, contam com grupos extremistas e separatistas, capazes de dividir sua nação em prol de não se distanciar da identidade russa, a mudança radical rumo a uma cultura ocidental, pode fazer a influencia sobre esses países minar.

A União Européia é sedutora, consegue atrair quase todos os países da Europa, para se integrarem culturalmente e geopoliticamente, então a Rússia aponta para a Ásia Central, onde por centenas de anos impões suas práticas.

Pode ganhar, mas, se perder, perderá muito e não será mais possível se recuperar. É uma jogada sem volta.

O PUTIN É POP

A intenção é mostrar que o Presidente russo é mesmo um Popstar, criar uma impressão que a Rússia tem um presidente esportista, forte, defensor da Pátria, capaz de amparar a nação em seus braços. É mais que comum, vez ou outra aparecerem notícias bizarras envolvendo o presidente Putin, que "milagrosamente" salva alguém ou dá um exemplo de sua bravura, justamente no momento em que alguma câmera o filma. É inclusive chamado de Rambo russo pela imprensa internacional. Adepto de várias modalidades esportivas, além de ser ex agente da antiga inteligencia - KGB, é aplaudido pelos russo e ao mesmo tempo, acredite, um dos poucos presidentes no mundo que tem aceitação e admiração para com todas as nações. Um feito difícil pra uma nação desse tamanho. É tão aplaudido, que quase certamente ganhará novamente as próximas eleições presidenciais.







Na canção Такого как Путин (Takogo kak Putin), em português, Seja Como Putin.


O MEDO DE KALININGRADO

Você alguma vez abriu um mapa-mundi e reparou que entre a Polônia e a Lituânia tem um espaço vazio no meio do nada na Europa? Não é um espaço vazio, nem um território independente, é a Rússia. Esse território se chama Kaliningrado, literalmente um pedacinho da Rússia no coração da Europa. Antes chamado Königsberg, esse território foi tomado pela URSS, em 1946, no final da segunda guerra mundial, como parte de um acordo. Até então, a cidade que de 1457 até 1945 foi capital e centro cultural e econômico da Prússia, pertence à Rússia.

Para a Russia, esse pedacinho no centro da Europa é de vital importância, e serve para diversos temas. Suponha que uma guerra da Europa contra a Rússia comece. A Rússia está no centro da Europa, não seria problema a distância, afim de enviar tropas ou atacar o velho continente. Politicamente também mostra a força russa nessa região. 

Existem grupos separatistas nessa região, os mais diversos, mas, ninguém ousa debater esse tema, nenhum país se quer da apoio ou combate, é perigoso mexer no orgulho russo. E a Russia envia gás, petróleo, faz uma parte ativa na economia européia, Kaliningrado, então, é um pequenino espaço do ego russo, onde ninguém vai se atrever a mexer externamente. Somente o próprio povo de lá pode se tornar uma nação ou se unificar a outra, mas, difícil que aconteça por influencia internacional. A marca do ego e do orgulho, ecoam infinitamente para o mundo, com o sinal de, "não mexam conosco, pode custar caro, muito caro".


A CRIMEIA É DE QUEM AFINAL?

A Crimeia é uma região importante por seu valor estratégico, histórico e cultural.
A importância estratégica da Crimeia está na sua localização e posição geográfica, além de oferecer vantagens econômicas e comerciais.
A Crimeia foi uma província semiautónoma da Ucrânia localizada na região sul do país, em uma península situada às margens do Mar Negro. Trata-se de uma zona que, sempre possuiu fortes relações étnicas e políticas com a ‎Rússia‬, sendo um dos principais entraves entre os dois países em âmbito diplomático.
O principal valor estratégico da Crimeia é, sem dúvida, a sua posição geográfica. A região representa uma saída importante para o Mar Negro, que é o único porto de águas quentes da Rússia. Isso significa que essa zona possui relevância tanto em nível comercial quanto no plano militar para os russos, por facilitar a movimentação de cargas e por garantir o controle do canal que liga esse ‪mar‬ ao Mar de Azov.
Em um acordo firmado em 2010, a Rússia instalou uma base militar em Sebastopol, cidade localizada no sul da Crimeia, com a permanência prevista até o ano de 2042. Em troca, o governo de Moscou cedeu US$ 40 bilhões de dólares em gás natural, fonte de ‪‎energia‬ da qual a Ucrânia é extremamente dependente.
No dia 27 de fevereiro de 2014, cinco dias após o presidente da Ucrânia Viktor Yanukovych ser deposto de suas funções presidenciais, o Parlamento da Crimeia anunciou um referendo para o dia 25 de maio de 2014, para decidir se a população crimeana optaria por uma anexação à Rússia ou se optaria pela restauração da Constituição da Crimeia de 1992 que, basicamente, daria mais autonomia à região e a tornaria mais independente da Ucrânia. Tal atitude foi repudiada firmemente pelo governo provisório da Ucrânia, Estados Unidos e diversos países da União Europeia. Em contrapartida, a Rússia apoiou e afirmou que reconheceria o resultado desse referendo. A decisão do Parlamento da Crimeia não pareceu ser uma decisão isolada visto que os deputados do Parlamento foram, praticamente, unânime em votar pela realização do referendo e a grande maioria dos cidadãos da Crimeia manifestaram firme apoio através de passeatas. Apesar do amplo apoio da maioria dos cidadãos da Crimeia, a minoria composta por tártaros e ucranianos anunciaram que boicotariam o referendo.
No dia 2 de março de 2014, o Primeiro-ministro da Crimeia, Sergey Aksyonov, anunciou que o referendo seria antecipado para o dia 16 de março do mesmo ano, provocando medidas mais severas da comunidade internacional, capitaneada pelos Estados Unidos e União Europeia, que se apressaram em adiantar que o referendo seria ilegal e que não reconheceriam o mesmo. Tais medidas contrastaram com a medida da Rússia que continuou afirmando seu apoio a legitimidade do referendo e que reconheceria o resultado do mesmo apesar da grande pressão diplomática dos outros países.
No dia 10 de março, 78 de um total de 100 integrantes do parlamento regional da Crimeia aprovaram a declaração de independência da península em relação à Ucrânia, na qual foi invocada a Carta das Nações Unidas, foi citado o precedente da Independência do Kosovo e uma série de outros documentos internacionais que estabelecem o direito dos povos à autodeterminação, por outro lado, as autoridades de Kiev afirmaram que não vão reconhecer a decisão de um parlamento que consideram ilegal.
No dia 15 de março de 2014, na véspera do referendo da Crimeia, o Conselho de Segurança da ONU se reuniu para votar por uma resolução que condenasse e não reconhecesse o referendo da Crimeia. 13 dos 15 países do Conselho votaram a favor da resolução, com a China se abstendo. Como a Rússia tem poder de veto, ela votou contra a resolução e, assim sendo, a resolução não foi aprovada.
No dia 16 de março de 2014, enfim, é realizado o referendo da Crimeia, alheio a diversas críticas e ameaças da comunidade internacional e com o apoio pertinente da Rússia.
No dia 17 de março de 2014, cumprindo as previsões iniciais, a República Autônoma da Crimeia anuncia o resultado final de seu referendo apontando que cerca de 95,5% dos votos optaram pela anexação do território à Rússia.
Com o resultado do referendo, no mesmo dia de 17 de março, o Parlamento da Crimeia aprovou por unanimidade e declarou, oficialmente, a Crimeia independente da Ucrânia ao mesmo tempo que oficializou o pedido de anexação à Rússia ao presidente Vladimir Putin. Paralelo ao resultado do referendo, houve protestos e ameaças da Ucrânia e demais países, como Estados Unidos e União Europeia, que ressaltaram não reconhecer o resultado do referendo, que julgam ser constitucionalmente ilegal.
No dia 18 de março, o presidente Vladimir Putin fez um discurso a parlamentares russos no qual defendeu a reintegração da Crimeia à Rússia, e logo depois foi assinado um tratado de anexação da península à Federação Russa.
No dia 22 de março, o presidente Vladimir Putin sancionou a lei que completa a reintegração da Crimeia à Rússia, desafiando líderes ocidentais que continuavam afirmando que a Crimeia seria parte da Ucrânia.
Atualmente a Crimeia faz parte da Rússia, porém, ainda existe conflitos e resistência do governo da Ucrânia, juntamente com outros países ocidentais, prova de que esse é apenas mais um capítulo da história.



Fontes: 
http://www.russobras.com.br/images/subdiv.jpg
http://g1.globo.com/globo-news/noticia/2014/03/conheca-cinco-regioes-russas-que-querem-se-separar-do-pais.html
Khanna, P. O segundo mundo: Impérios e Influência na Nova Ordem Global, 
https://www.publico.pt/temas/jornal/gazprom-o-gigante-russo-261429
http://www.gazetadopovo.com.br/mundo/new-york-times/gazprom-ve-seu-poder-reduzido-e5rcynx4a8idygmkggmjl499a
http://www.petronoticias.com.br/archives/78758
https://pt.wikipedia.org/wiki/Holodomor
https://pt.wikipedia.org/wiki/K%C3%B6nigsberg
http://port.pravda.ru/russa/20-03-2014/36453-discurso_putin-0/
http://br.reuters.com/article/topNews/idBRSPEA2K01K20140321
http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2014/03/1426423-obama-diz-a-putin-que-eua-nao-reconhecem-resultado-de-referendo.shtml



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