CAMINOS DE CHILE - 2017

UMA NOVA VISÃO SOB TERRAS ANDINAS

     Após um ano sem fazer uma viagem pra fora do Brasil, foi praticamente inevitável conviver com a saudade. Convidei minha namorada e suas amigas para conhecer o país na qual tenho o prazer de identificar como minha segunda nação. Dessa vez o planejamento não foi feito no meio do ano, como em todas as outras vezes era feito, deixamos praticamente pra última hora, pra ser mais exato, final de agosto, planejando viajar já em dezembro e passar a virada de ano em terras estrangeiras.

     Passaportes renovados, planejamentos concluídos, só faltava comprar a passagem (de avião) e viajar. Mas, não poderia ser tão fácil, pelo menos para mim que tem uma certa aversão a viajar de avião, e preferiu viajar por 72 horas de ônibus para não voar. Houve resistência, muita resistência, mas, no final das contas compramos mesmo de avião. Achei até bom, era uma maneira de testar se eu tinha algum problema cardíaco.

DEU TUDO ERRADO

     Faltando quatro dias para o voo, a companhia aérea entra em contato, informando que não voaríamos na hora do voo que compramos, e não haveria como alterar pra outra data, contando que já havíamos marcado nossa estadia e planejado os voos de conexão. Tentamos resolver, impacientes, tremendo e suando, correndo contra o tempo, com a impressão antecipada que deu tudo errado. Talvez fosse até uma mensagem do Universo, me dando aquela dica para ir de ônibus. Mudamos o horário, dificultando um pouco a chegada, por conta da falta de horários disponíveis para mudança e fomos mesmo assim para Belo Horizonte, sob o risco de ficar no aeroporto de Guarulhos por uma madrugada inteira, esperando o próximo voo para Buenos Aires.

Avião da companhia Gol - Aeroporto Internacional de Guarulhos

     Assim que chegamos, procuramos o escritório da empresa Aerolíneas Argentinas, afim de relatar nossa insatisfação com a mudança de horário de forma tão repentina. A empresa foi extremante cordial e nos disponibilizou uma estadia em um excelente hotel onde passamos a noite.

     A ida para santiago de avião me proporcionou uma viagem sobre as Cordilheiras dos Andes, que mesmo no verão em um sol de 40 graus, os picos da cordilheira se mantêm congelados e criam uma obra de arte única vista do céu.

NOVIDADES NO PLANEJAMENTO 

     Diferente de todas as vezes anteriores, não ficamos em um hostel, a grande jogada da vez, para todas as pessoas que fazem viagens, é o site Airbnb, onde é possível encontrar quarto, kitnet, apartamentos ou até uma casa inteira, por um preço sem impostos e livre de organizações turisticas. Acredite, faz toda a diferença! Esse site é extremamente seguro e ainda dá a oportunidade de se sentir como um residente do lugar onde estiver viajando. Ficamos hospedados no apartamento de Nicole, que nos atendeu maravilhosamente bem, além de seu pai, torcedor do La U, que virou nosso amigo e visitante diário do apartamento, afim de trocar conhecimentos sobre nossos países.

     Alugando um apartamento e ficando de frente para um supermercado, foi fácil perceber que atualmente a comida no Chile é bem mais barata que no Brasil, já que a inflação naquele país quase não elevou os preços, fazendo que o custo de vida mesmo que elevado, seja mais favorável que em uma capital brasileira. Mas, já deixando claro, se for comprar fora, já saia sabendo que é caro, bares, karaokês e restaurantes, chegam a cobrar quase 3 vezes mais caro que no Brasil, dependendo dos lugares onde for.

     Essa vez se caracterizou como a viagem em que tive certeza que viajar com uma empresa de turismo é péssimo negócio. Além de estar preso a roteiro e hotelaria, tem os preços elevados, nada melhor que estar livre, tudo que você precisa pra viajar está na internet, não há como errar. 

DINHEIRO OU CARTÃO?

     Uma opção muito usada para pagamentos à vista no exterior, é o TravelCard ou TravelMoney, com ele é possível depositar um valor em moeda nacional, que será convertido em dólar, e debitado na moeda do país a qual quiser sacar ou fazer compras. Vale ressaltar que existem impostos sobre o cartão e sobre o valor adicionado. Os valores cobrados em impostos não são muito altos, e fazem o cartão ser uma boa opção para viagem.

Travel Card

   O cartão de crédito é usado por muitas pessoa que vão a outro país, porém é bom observar os valores cobrados pela administradora do cartão, pode não ser viável, por conta das altas tarifas. "O barato pode sair caro". 

     Saque em conta é péssimo negócio, sem precisar analisar. As tarifas são altíssimas, e ainda existe uma série tarefas burocráticas, que devem ser feitas antes de liberar o acesso à conta em outro país.

     Por incrível que pareça, a opção mais segura, ainda continua sendo levar dinheiro vivo, assim é possível ir até uma casa de câmbio e fazer a negociação pelo melhor preço, além de acompanhar as movimentações do mercado e fazer as trocas quando o valor mais favorecer. Mas, leve outra forma de reserva, não deposite todos os valores em apenas uma forma, se perder, pode se dar muito mal e passar por sérias dificuldades, então, ter um valor reservado é extremamente importante.

DESENVOLVIMENTO E QUALIDADE DE VIDA

     Nunca vi tantos compatriotas no Chile. Sete anos atravessando fronteiras, e nunca vi tantos brasileiros concentrados em um país específico, assim como no Chile. O motivo é muito claro, a aproximação idiomática, o carisma chileno, a economia solidificada e estabilizada, o bom salário e a qualidade de vida. O Chile, muito provavelmente, se tornará um país desenvolvido até 2020 e os brasileiros, em busca de uma qualidade de vida melhor, tem buscado o país como alternativa.





DEU TUDO CERTO


     É claro que quando se faz uma viagem, espera que tudo dê certo, mesmo sabendo que sempre haverá adversidades, e que surpresas boas ou ruins irão cruzar o caminho, todo mundo espera chegar bem em casa para contar as histórias vividas. Em resumo, dessa vez foi diferente de todas as outras viagens, tive comigo companhias agradáveis por todo o percurso viajado. Não foi um roteiro fácil, porque aprendi muito e por ter 7 anos de viagens pela América do Sul, acabei pensando que não precisava aprender nada mais. Estar com uma mochila nas costas, sendo guia, mochileiro e ao mesmo tempo, sendo cuidadoso com as pessoas que estavam comigo nesse trajeto, foi uma experiência que eu desconhecia e aprendi a conviver na "marra", até mesmo pelo bem da boa convivência. Olhar para a própria personalidade muitas vezes não é uma tarefa das mais agradáveis.
     
Fazendo as malas com os braços queimados de sol
Repouso no Cerro Santa Lucía
     Fontes: Arquivo Pessoal
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